sexta-feira, 30 de novembro de 2007

ALMA BURRA


Quem olha para o mundo e faz percorrer sobre ele sua alma, sabe muito bem que algo deve estar errado, ou ao menos, tem que estar errado. Conversas estranhas onde ninguém diz coisas alguma, apenas futilidades. Bricadeiras idiotas de onde se traz muita gargalhada, mas pouca, ou mesmo, nenhuma alegria. Amigos que deveriam ser chamados de qualquer outra coisa, menos "Amigo". Convites ao prazer momentâneo e inútil para lugares feito "matadores" de onde se abatade a alma. Pessoas subindo no palco ilusório do "reconhecimento" em detrimento dos outros, e isso, em todos os âmbitos da vida, seja profissional ou em seus grupinhos de amizades. Desvalorização do amor e louvor à burrice existencial que não acontece na mente mas na alma. Almas burras. Homens que trazem des-esperança à quem quer que espere umA vida no mínimo digna de ser chamada "boa". Mulheres fúteis que comungam com às idiotices dos egocêntricos e superficiais "homens". Sim. Quem olha para a humanidade, como diz Drummond, "Alguns, achando bárbaro o espetáculo,prefeririam (os delicados) morrer". Isso porque, olhar para a vida e vê-la sendo negligenciada e desprezada como vem sendo é necessário clamar a morte como libertação de tal arrogância e ignorância humana, e como disse, essa burrice não está na mente mas na alma.

Sim! O que todos esperam é que chegue um dia onde as conversas sejam saudáveis e edificantes para quem quer que seja. Que os amigos sejam Amigos mesmo. Que a vida não seja um farça nas gargalhadas amarelas dos zombadores, mas que seja vida mesmo, plena em alegria e paz.

Fernado Pessoa, já sem esperança alguma, diria:

O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...

Eu, no entanto, espero em Deus que tais coisas sejam verdades em mim, ainda que diante de mim esteja tal vergonha e calamidade, tal burrice de espírito. Sim, peço apenas a Ele que não ande segundo tal espírito, e que diferentemente desses que amargam a terra, e ofuscam o caminho, que eu seja sal para dar sabor à terra e luz para que vejam que o caminhar pode se tornar leve e luminoso, em alegria e Paz.

Nele.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

ESPERANDO? O QUE?


Ei! Porque esperas encontrar no horizonte o infinito universo interior?
Porque esperas achar nos olhos da pessoa amada a beleza que há dentro de ti mesmo?
Porque esperas alcançar lugares-existencialmente-geográficos onde encontrarás felicidade?
Porque buscas fora o que só poderá ser encontrado dentro?

Não. Não caminho pela vida porque encontrei nela um motivo para caminhar, mas achei em mim um novo caminho e por ele caminho por onde for sem sair do lugar. Não olho para as belas montanhas e vales, flôres e árvores, terra e mares buscando neles uma essência que me traga vida, mas sobre eles lanço a vida que há nos olhos do meu coração não esperando encontrar neles o que já não há dentro de mim. Vou sem saber para onde, porque "onde" não importa, importa apenas que eu vá, pois, não há lugar ou lugares de e onde poderei dizer "cheguei ao meu destino!", de fato não. Não há destinos, há apenas o caminho da vida e na vida, isso, porque a vida se fez eterna e "destinos" são lugares onde a vida deveria terminar. Vivo em eternidade os pequenos momentos que me são dados por Deus, momentos sem fins e sem fim, sem destinos e sem lugares fixos, apenas caminho o caminho que é a vida mesmo, e como diria Drummond, "a vida apenas, sem mistificações".

Sim. Sou humano, portanto, não sou perfeito embora busque a perfeição como alguém que conscientemente sabe que nunca se chegará à sua plenitude. Tenho, por vezes, recaídas de um humano qualquer "caído". Me pego perguntando "qual o sentido da vida?", ou, "onde tudo isso vai dar?", mesmo com a consciência de que a vida não tem outro sentido que não ela mesma, e lugares onde se chegar não existem senão o lugar do próprio coração. Penso que ninguém deveria se perguntar coisas do tipo "quando serei feliz?", porque o "quando" se refere a um "lugar" estabelecido a partir de um determinado momento ou acontecimento. Não passam de projeções impostas a sí mesmo com o intuito de se auto-enganar achando que será "feliz" a partir de algo: Uma conquista, um graduação, um bem adquirido; enfim, como tenho dito, não há razões de buscar fora o que só poderá ser encontrado do lado de dentro. Nenhuma dessas coisas tornam o ser "feliz", por isso disse que ninguém deveria se perguntar "quando serei feliz?", porque a "felicidade" está mais próxima do que se imagina: A Paz interior!

Sim. Vivo em Paz com minhas angústias e alegrias, com minhas imperfeições, com meus erros e acertos, com as estações da vida, com minhas dores e prazeres, com minhas derrotas e conquistas. Vivo feliz não pela felicidade em sí, mas por estar em Paz com todas essas coisas, pois, o que produz a "felicidade" não é a própria felicidade, mas a Paz que habita o interior, "ser feliz" é apenas uma consequência!

Todas essas buscas e aflições tem a ver com o "Amanhã", mas o único dia que há é o "Hoje", pois, o "Amanhã" nunca existiu e nunca existirá para que o "Hoje" aconteça sempre.

Nele, em quem tenho Paz independente de qualquer felicidade ou angústia.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

UMA CENA EM UM MINUTO


- Até mais! - disse eu a uma amiga me despedindo dela próximo ao ponto de ônibus.

Na verdade tinha motivos pra desejar que ela de fato se fosse. Te vi logo à frente no ponto, esperando. O que você esperava? Pensava eu. Podia ser alguém que te surpreendesse com um convite novo, ou algo que te tirasse da monotonia de sempre, ou ainda, alguma coisa que lhe enchesse os olhos e preenchesse a alma. Não sei, talvez, apenas esperava o ônibus com o intuito de ir para casa como todos os outros dias.

Desejei que minha amiga fosse embora para que pudesse aproximar-me de você. Pois ela se foi. Você continuara sozinha. A observei o tempo todo sem deixar que você o percebesse. Cada gesto, cada mudança de comportamento. Te olhava como alguém que não espera outra coisa senão um sinal, divino, mágico, um olhar, um "ajeitar" dos cabelos. Era isso o que eu esperava. Um convite seu, discreto, simples.

"Aquela cena permaneceu imóvel, imperturbável, fora do tempo. Tornou-se parte da minha alma". A cena. Na verdade, havia muito barulho. Carros, motores, motos, buzinas, conversas, rizadas... Mas em mim, havia um silêncio, causado por você. Eu não estava ali. Estava em outra dimensão, em outro lugar. Nesse lugar não havia barulhos, mas uma bela canção sendo dedilhada em cordas, violinos, Cello, Baixo, viola, suavez som de pequenos tambores... Não havia rizadas nem gargalhadas, havia apenas alegria. Tudo isso se ajustava harmoniosamente encantador, em cantos e encantos. O que não havia foi chamado à existência, sim, aquela cena provocada por você. A cena era sua, toda sua, toda você.

Um ruído se fez tentando quebrar o calor daquele momento. Já era tarde. Meu ônibus se aproximava. Mas não pude ir. Ainda esperava alguma coisa de você, em você... Sei que fiquei até vê-la partir. Misteriosa em mim, ficou você.

"O que a memória amou fica eterno".

terça-feira, 20 de novembro de 2007

SOBRE PÁSSAROS


Verdade é que não sei me dar bem com tal coisa. Na vida a gente vive ganhando e perdendo. Ganhamos amizades e perdemos amigos, ganhamos amores e perdemos a amada, nos encontramos e despedimos, chegamos e partimos, veem e vão, se vai, se vão, ganhamos e perdemos.

Nesse caminho onde viajamos nos encontramos com viajantes que chegam, trazem alegria, trazem paz, mas se vão sem dizer adeus, sem dizer nada, apenas continuam a viagem ainda longa ou, para muitos, curta. A minha dor é querer eternalizar tal momento, fazer com que seja sempre assim, sem idas, sem despedidas, sem partidas, sem perdas. As vezes me pego pensando nos que se foram, poderiam ter ficado, mas a viagem sempre continua. Impossível contê-los em algum recipiente, eternalizá-los para sempre, e para sempre fazê-los eternos ao nosso lado. De fato, impossível.

Pessoas são pássaros livres, e só são livres por poderem voar para qualquer lugar que queiram. Amores são também pássaros livres que pousam e sem se saber o porque vão embora, sem nada dizer, sem deixar pista alguma para onde foram, apenas se vão, para sempre. Nunca estamos preparados para perdas, mas ela acontecem assim mesmo, perdemos sempre.

Mas imagino se tais pássaros fossem engaiolados, enjaulados. Olhariam para suas asas e se sentiriam mutilados. Dor maior não há do que essa: Ter asas e estar dentro de uma gaiola. É a dor que se coloca bem diante dos olhos, do coração, das verdades do ser. Como viveriam tais pássaros olhando a vida lá fora sem poder voar livres para sempre? Não. Não seriam pássaros. Seriam tranformados em outra coisa. Seus rostos seriam transfigurados em angústia existencial, seus corações seriam empalhados mesmo ainda permanecendo pulsando. E tal pulsar seria o pulsar pela vida, mas não saberiam mais do que eram feitos. Não se lembrariam mais do ar batendo em suas asas em vôo livre sendo embalados pelo vento... Sentiriam angústia sem saber o porque, sentiriam saudades sem saber do que. Não se lembrariam mais que eram pássaros livres feitos para voarem.

Voem pássaros. Sua beleza está em serem livres. É melhor que se vá e vivam, do que ficar e esquecerem que suas asas são para alçarem vôos, sem fins, apenas voem em paz. Eu também irei, mas saibam, estarei melhor onde estiver se assim estiver livre para ser quem sou: Pássaro livre.

Vão e não voltem se não quiserem, sejam livres!!!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

... PAIXÃO


Sou apaixonado com música. Quem que conhece talvez pense que gosto de música, mas não é bem assim, não gosto apenas, sou mesmo é apaixonado.

O que faço pela música não o faria por qualquer outra coisa, não com a mesma disposição de coração ou com a mesma alegria e paz. Isso porque, como disse, sou apaixonado. E quem poderá dizer que a paixão não é uma loucura? Prova disso é que a paixão produz o casamento. Loucura, pura-mente em sã loucura! A paixão casa o músico com a música, o pintor com a pintura, o engenheiro com a engenharia, a princesa com o principe, o sábio com a sabedoria, enfim, a paixão faz acontecer a "contra física" absurda de duas coisas ocuparem o mesmo espaço e a louca química de tornar dois em um só, puros, à ponto de não se poder discernir onde começa um e termina o outro, puramente indistinguiveis.

Quando ouço uma música não ouço apenas uma "música". Ouço beleza num quadro harmônicamente misterioso, e me encanto com a possibilidade de tal acontecimento. Notas músicais se juntando a cantos que não se sabem de onde vem e nem para onde vai, cantos e melodias que tem a ver com a alma do cantor, tem a ver com a alma do músico que pinta numa tela invisível, sonora, não se pode tocar nem ver, é espiritualmente discernível porque assim o é, espiritual. Arte feita em ondas sonoras que conta as histórias jamais contadas, conta as dores jamais expostas, conta as alegrias jamais compartilhadas. Música é isso: encantos em contos em canto.

Mas a vida do músico se difere de toda essa beleza, ainda mais quando ele está iniciando agora uma carreira promissora. Pesos nas costas, bolsas nas mãos, todo o material que precisa pra executar bem seu instrumento. Ônibus cheios, o desconforto de se carregar tanta coisa, as distâncias percorridas para se chegar ao lugar de ensaio, o tempo gasto em estudo e em alimentação saudável para que se reponha a energia que se perde com todo esse trabalho.

A beleza da música não me livra dos estresses causados por ela mesma. Não me livra das crises de, por vezes, pensar se é isso mesmo o que quero. Não me livra dos cansaços, dos dias em que queria um pouco de quietude e não os posso tê-los. Sincera-mente, não. A música não tem esse poder. Sei apenas que quando acordo me esqueço o porque que pensei em largar ou abandonar tudo isso, acordo e não vejo razão para não viver com ela todos os dias da minha vida. No meu quarto, bem cedo, acordo ao lado do meu intrumento, uma bateria, e me encanto novamente, é como uma magia que se recria a cada dia. Paixão, pura paixão. As vezes canso e desejo dar uma volta para esfriar a cabeça, para "des-estressar um pouco" como dizem por aí, isso porque, como disse, ela me estressa, me cansa, mas a paixão é coisa louca, é sanamente louca. Quando volto, volto apaixonado, quero ela de volta, aliás, mesmo quando dou uma volta ela está sempre comigo, está sempre em meus pensamentos, em minhas conversas, em meus olhos, sempre intrínseca em minha alma. Diria, inseparável. Sei que ao lado dela estou onde quero estar, e com ela qualquer lugar é lugar qualquer que se transforma em cena de cinema.
Muitos não sabem a razão de alguns se dedicarem tanto a uma certa coisa, ou a certa pessoa!

Paixão! Seja sempre, eterna e sempre!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

PROCURA-SE UM AMIGO QUE TENHA BONS OLHOS!


Um jovem num fim de tarde conversava com um velho, muito simpático e agradável por sinal. O jovem queixava-se de seus amigos que diziam que, as vezes, ele era irônico, sarcástico, e por isso não entendiam o que ele queria dizer. Queixava-se também de sua família que o culpava até de respirar. Também queixava-se das pessoas que supostamente deveriam ser boas, mas quando provadas de fato, tinham sabores amargos.
O velho ouvindo tudo o que o jovem dizia, disse a ele:
- Meu filho! Você precisa de amigos que tenham "bons olhos".
- "Bons olhos"? - indagou o jovem.
- Sim! Amigos que tenham "bons olhos". Amigos assim nunca enxergam as suas falhas como se fossem horrendas e desprezíveis, mas a enxergam com humanidade e compreensão; Amigos assim não enxergam as suas "estações" com arrogância, mas respeita tanto o verão, quanto o outono, a primavera e o inverno da sua própria alma, e com com-paixão e se move em favor do seu próprio bem; Amigos assim não esperam que você seja mais do que você de fato é, pois, ele mesmo não quer que você seja outra pessoa que não você mesma; Amigos assim não o deixa porque você não agiu como ele queria que você agisse, mas ele primeiro age com perdão, pois, para ele não há outra forma de se ter um amigo a não ser pelo vínculo do perdão; Amigos assim nunca o deixarão solitário quando você de fato estiver sozinho, pois, não haverá presença maior do que a de um amigo assim, mesmo que ele não esteja fisicamente presente, a lembrança de alguém assim já conforta o coração e traz muita esperança; Amigos assim nunca olham suas dores como se fossem culpa sua estar passando por elas, mas o olha como quem conhece a dor e sabe que não é necessário acrescentar mais dor ainda com julgamentos e acusações; Amigos assim o amam pelo que você é e não pelo que você o possa oferecer; Amigos assim são amigos porque são amigos, e isso basta.
- Mas, senhor! Existe alguém assim? - indagou deseperançosamente o jovem.
- Você pode começar a ser um!- respondeu o velho.
E continuaram a conversar sobre muitas coisas e por muito tempo foram amigos um do outro.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O JUSTO VIVERÁ PELA FÉ


Sim! Justamente o Justo viverá pela fé.

Me vem à mente, toda vez que penso nisso, sobre esse "justo" que na contramão do que é palpável e tangível vive em fé, crê no que, ainda, se espera. Sim, o justo viverá pela fé.

Penso sobre o que o Justo espera. Sim! Penso em uma vida em que o amor seja a lei da humanidade; que os relacionamentos sejam banhados por graça, humanidade, perdão, compreensão, bondade, compaixão, altruísmo; uma vida em que as pessoas tenham a liberdade de ser, não como hoje se pensa nessa liberdade moral, mas liberdade mesmo, nas vísceras do ser, sem esses vícios doentios da geração de hoje que se sente livre quando se droga até a insanidade mental se instalar como estado de prazer, ou então, quando se tem todas as mulheres ou homens que satisfazem os maus desejos do coração, ou ainda, quando se tem poder para se auto-afirmar na existência, seja o poder do dinheiro, do egoísmo, da ganância ou do que for; uma vida onde todos saibam que revolução de verdade não começa do lado de fora, mas do lado de dentro, não começa no palácio central mas no coração que é a estação de onde se embarca para a viagem da vida, não se faz com fuzis, nem facas, nem socos, muito menos com revolta e rebeldia, mas se faz na averiguação do próprio coração através do Evangelho em Cristo en-carnado, em Paz e Amor. Sim, uma vida onde haja a revolução de Ser do ser, onde todos sendo como Cristo serão da mesma forma distintos uns dos outros para sempre, onde cada um tenha um nome que seja conhecido somente entre ele e Deus, uma identidade apenas sua. Uma vida onde cada um seja tratado como quem é de fato, e não a partir do que tem ou do que potencialmente possa ter. Uma vida em que cada um seja chamado pelo nome e não pelo cargo que ocupa em certa empresa, ou na posição que assumiu em determinado patamar social ou religioso, ou pela farda que veste ou ainda pela arte que executa. Não, que cada um seja reconhecido pelo que é somente. Uma vida onde as crianças possam brincar depois das "dez" e que a família possa se banquetear em qualquer morro ou montanha da cidade, sem medo, sem pânicos. Uma vida em que ninguém se coloca em posição superior a ninguém, pois, se tem a consciência que o maior é quem serve sem o desejo que tal serviço o eleve hierarquicamente a uma posição de louvores humana-mente caídos e sem-graça, mas que serve apenas porque ama, e que também ama ser servido se tornando ainda menor do que aquele que serve, e que o amor seja a canção, a poesia, a fala, o "jeitinho" de ser-humano, o gesto, enfim, que o Amor seja o que Ele É.

Sim, uma vida que seja vida para todos, em tudo, e em todos.

O justo que mergulhou seu coração em todas essas coisas olha para o horizonte e não vê amor, mas muita, muita indiferença. Não vê compaixão, apenas mãos fechadas que não servem a ninguém. Não vê vida, mas morte, até nos lugares onde se oferece vida. Não vê ruas cheias de paz, mas cheias de ausência, essa traga pelo medo. Não vê Homens e Mulheres, mas seres des-humanos. Não vê a liberdade, mas o domínio e o poder sendo exercido de um para com o outro. Não vê simplicidade mas muita arrogância. Não vê alegria, apenas gargalhadas. Não vê choros em verdade, mas lágrimas de culpa. Não vê bondade, mas festas pálidas empalidecidas pela morte do coração no abismo das presunções humanas e mesquinhas, nas acepções segundo interesses pessoais e gananciosos. Não vê vida, apenas a farsa dela.

Então, justamente o justo vive pela fé e se torna a prova de que há algo que ainda não se manifestou em verdade e vida diante da realidade, embora a Verdade e a Vida tenha-se manifestado em carne, osso, e existência. A fé é a prova das coisas que não se vêem, sim, porque todos esperam, todos gemem pela esperança de uma vida em Verdade, todos questionam, todos fingem, todos, não há um sequer, ninguém que busque o bem sem que o pecado lhe esteja intrínseco. Sim, até mesmo o "justo".

O justo vive pela fé, sim, porque creu na Voz que lhe fala interiormente que há coisas indizíveis e que coração algum alcançou, nem olhos viram, e nem ouvidos ouviram o que Deus, desde antes da fundação do mundo, preparou, com muito Amor, para aqueles que, em Ele amando, o amaram também, pois, "nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados". Ele nos amou primeiro e demonstrou no Filho o seu próprio Amor. E nos deu essa viva esperança de que o Amor entrega a vida pelos outros em Amor. Isso muda toda a existência, esse é o Reino de Deus que já está em vós.

Sim, o que há perante os olhos é o que todos vêem, mas o que há perante o coração é o que todos precisam ver e crêr, e viver em fé e esperança!

Nele, em quem anseio por esse dia que espero dentro em mim.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O ETERNO HOJE


- Mamãe! O Sol vai voltar amanhã? - pergunta o garotinho pouco antes de dormir.
- Vai sim meu filho! - respondeu a mãe sem muito interesse.
- Mas, e se não voltar mamãe? Vai ser noite para sempre? E o Sol? Ele vai pra onde?
- Filho - exclamou a mãe - Porque você está preocupado com o Sol? Porque você quer saber se vai ter manhã de novo?
- Ah! Quero brincar o dia inteiro de novo. Também, quero tomar sorvete com meus amigos! Mas, se o Sol não voltar...!
- Filho! Você brincou o dia inteiro hoje, e tenho certeza que enquanto brincava não se preocupava com o amanhã. Não foi bom? - perguntou a mãe do garoto.
- Foi sim!- disse o garoto com uma certeza simples nos olhos - mas eu queria brincar mais!
- Filho! O amanhã não importa e sim o "Eterno Hoje"!
- Como assim mamãe, nunca ouvi falar desse "Eterno Hoje"!
- Sim meu filho. O "Eterno Hoje" é esse momento agora que acontece para sempre, porque para sempre só haverá esse momento agora!
O garoto parou, pensou, e como toda criança, perguntou:
- Mas mãe! Como só há esse momento agora se antes ele não existia e amanhã ele não existirá? - perguntou com muita curiosidade o garoto.
- Isso mesmo meu filho! O "antes" são os momentos que se passaram e não existirão mais, são momentos que se foram como fumaça, apenas ficarão na memória e só lá terão vida se assim você quiser fazê-los renascer em formas de sentimentos e percepções. O "amanhã" são os momentos que não acontecerão nunca, porque o "amanhã" nunca existirá para que o "Hoje" seja Eterno. Se houvesse "amanhã" todos nós deixaríamos de existir, pois, somos seres do "Eterno Hoje", desse momento "agora".
- Mas mamãe...! - exclamou e calou-se o garotinho sem entender muito do que sua mãe o dissera.
- Meu filho! O que você quer fazer agora?
O garotinho nem precisou de pensar muito para responder, pois, estava com muito sono.
- Quero dormir, estou com sono!
- Você não quer brincar agora? Não quer sair pra tomar um sorvete?... - perguntava a mãe.
O garoto dizia "não" à cada pergunta.
- Então, apenas durma, afinal, não é isso que você quer agora?
- Sim - repondeu o garoto com uma certeza quase sonâmbula.
- Então! O "agora" é o que chamo de "Eterno Hoje", e o que você no fundo, no fundo quer, não é saber sobre o "amanhã", nem sobre o Sol. Você quer apenas dormir e não deixar que o "amanhã" lhe tire o sono.
- Sim mamãe!
- Durma em paz, meu garoto!
E a mãe se despediu com um beijo que lhe veio como um desejo do "agora".

terça-feira, 6 de novembro de 2007

... E O FIM DA VIDA SERÁ ELA MESMA


E a vida segue assim, sem rumos, sem destinos, enfim, sem fins.

Não há lugares geográficos-existenciais a ser conquistados, de onde eu possa de lá dizer: "Agora eu vou ser feliz". Não. Ou se assume a felicidade no dia chamado "Hoje", ou se vive em desespero e ansiedade do amanhã tendo em mente a doce ilusão de que "chegar a tal lugar" fará tal pessoa "feliz". Mas não é assim. Tal lugar está carregado de projeções psicológicas, transferências que se faz a fim de se ter um objetivo, um motivo, ou mesmo razão para que a vida faça sentido, para que a vida tenha um fim-destino em que se possa dali em diante ser feliz para sempre. Esse lugar não existe, aliás, o amanhã não existe senão para quem investe suas preocupações nele. Há somente o "Hoje", e é somente o que há.

Não há lugares para se chegar, não há destinos chamados "lugar da felicidade", a vida não há "objetivos" que não seja ela mesma.

Vamos supor que, pela realidade capitalista de hoje, "ser rico" fosse o motivo da existência. Então quem já é rico poderia zombar de toda a ralé pobre, pois, se a vida tem esse objetivo o rico já está nesse lugar-geográfico-existencial no qual já, agora, desfruta da plenitude, do ápice, da vida. Ele sim poderia dizer "sou feliz", diferentemente do pobre que teria que trabalhar em função da busca e conquista de tal "objetivo", posto que é lá que está a tal "felicidade", no entanto, provavelmente, trabalharia ele até o fim dos dias da sua vida em função dessa busca, e, se conquistada, quem desfrutaria do bem conquistado seria seu filho. Daí então chegaríamos à conclusão de que o indivíduo trabalhou a vida toda em desespero para se conquistar tal "lugar-de-plenitude", mas ao chegar "lá" não não há mais como desfrutá-lo. Viveu todos os dias da sua vida em vão.

Suponhamos que o fim para o qual concorre a vida fosse o casamento. Saberíamos a partir daí fazer distinção dos "felizes-casados" o dos desgraçados solteiros, separados, ou viúvos. Se a vida se resumisse na "realização pessoal", a partir daí também poderíamos traçar um linha entre os "felizes-realizados" e o resto-frustrado.

Mas não é assim. Para o bem da humanidade Deus criou a vida livre de todo esse engano. Nada disso assegura que o ser seja feliz ou não. A vida transcende em muito a tudo isso. O que se vê são ricos felizes e também infelizes, pobres felizes e infelizes, pessoas realizadas felizes e também frustradas. Essa consciência esmagaria com um poder imensurável essa realidade de hoje, de que, se eu possuo o carro do ano, tenho a roupa da moda, o "tipinho" do cara ou da garota legal, o emprego respeitado pela sociedade, a faculdade "ideal", o "amor" ideal, enfim, esses moldes não asseguram e nem provam nada, apenas afligem o coração com um monte de falsos ideais e falsas idéias do qual se promete a segurança de estar vivendo em plena satisfação e felicidade enquanto na verdade não possuem valor algum diante da Verdade.

De fato, como diz um amigo, "a vida não se encontra numa garrafa", num recipiente, num envólucro, num lugar exato com endereço fixo em que se possa dizer daquele que lá chegou: Ele é feliz. Não, de fato, não há esse lugar. Qualquer lugar conquistado, alcançado, não possui em sí o poder da vida, o poder de resolução como muitos constumam dizer "preciso resolver minha vida", com muita ansiedade e desespero de que a vida precisa ter algum fim, um suposto objetivo pleno.

A vida prossegui livre como o vento, suave como a brisa, sem esses desesperos e paranóias mesmo após se ter alcançado o tal lugar desejado, seja um sonho realizado, uma faculdade terminada, enfim, seja o que for, a vida continua sem fins.

Daí o motivo de ninguém poder se julgar mais feliz do que o outro, mais pleno de satisfação do que o outro, pois, a vida não tem esses moldes, essas fôrmas. Ela é o que é, a vida é tudo e tudo é vida, isso se de fato há vida no ser que a diz possuir.

Cristo fala acerca do "olhar com bons olhos". Sim, é preciso olhar com bons olhos, olhos tais que possuem o coração e a partir deles e dele se enxerga a vida do lado de fora.

"Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida". Provérbios 4:23.

Creio que aí está o segredo de uma vida sem as ansiedades geradas pelo mundo hoje: Guardar o coração. Sim, é no coração que se conquista a coisas incorruptíveis, segundo Cristo, as quais nem ladrões podem roubar, nem as traças roerem, nem a ferrugem possa destruir, essas são as coisas que de fato tem valor para a vida, as que são conquistadas no coração, pois, esse é o lugar da conquistas eternas da mesma forma que também pode ser o lugar dos abismos eternos. Por isso é preciso cuidar do coração "Hoje" por ser nele e dele que procedem as fontes da vida. Se nele há vida, tudo do lado de fora será vida, posto que havendo vida dentro, só poderá haver vida fora, pois, aos olhos interiores é só o que há, e olhando-se para fora não há como enxergar outra coisa senão, também, vida. Se no coração houver vida, do lado de fora só haverá o que estiver dentro. O contrário também é verdadeiro, se há morte do lado de dentro, também assim o será do lado de fora, afinal, "A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!". Mateus 6: 22-23.

As fontes da vida vem do lado de dentro, do coração. Os bons olhos vêem do coração e nele habita o bem ou o mal que vejo. É nele que se encontra as fontes para se ter Paz no dia chamado "Hoje", e se ouvirdes a Voz não endureçais o coração, pois, muitos chegarão ao final de suas vidas e descobrirão que o "fim" que procuravam era a própria vida; Chegarão lá e não terão mais o mesmo vigor que se tem hoje, lamentarão apenas esse dia por não se ter mais, nele, contentamento, pois, passou sua vida toda a procurando sendo que ela está intrínseca no ser o tempo todo.

Embora, eu fale nesse texto o tempo todo sobre a vida, não é tão simples assim, pois, mesmo diante da vida é preciso que se tenha Vida. O CAMINHO é Cristo, A VERDADE é Cristo, A VIDA para a vida é Cristo, e não é necessário ler toda a bíblia, saber tudo de teologia ou filosofia, ou seja lá o que for, basta crer que, em Cristo, Deus reconciliou a humanidade consigo mesmo por pura Graça. É um dom de Deus apenas dado a quem quiser "Hoje" assumir essa consciência nas vísceras do ser e ter, ainda hoje, um pouco de Paz. Pois é nessa Paz que se tem Vida para a vida.

Apenas creia e caminhe!

Nele (Cristo), em quem meu coração se apazigua diante de qualquer desespero.

MEU AMIGO, ALGUMA COISA ESTÁ MUDANDO

Alguma coisa está mudando meu amigo E não sei bem o que é Mas se lembra quando tudo apenas se repetia Então mudanças já são boas...